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Você conhece os transtornos de humor?

Os transtornos do humor são condições neurobiológicas complexas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Eles abrangem uma ampla gama de estados emocionais, desde episódios de depressão profunda até momentos de euforia extrema.

Os transtornos unipolares, como a depressão maior e o transtorno distímico, estão associados a mudanças no humor que se concentram em um dos polos do espectro afetivo. Por outro lado, os transtornos bipolares, como o tipo I, tipo II e ciclotímico, envolvem alterações do humor que atingem ambos os polos do espectro, alternando entre episódios de depressão e mania.

Esses transtornos são muito comuns, afetando uma parcela significativa da população. A depressão maior, por exemplo, tem uma prevalência de cerca de 10 a 25% entre as mulheres e de 5 a 12% entre os homens. Já o transtorno bipolar afeta aproximadamente 1,5% da população, independentemente do sexo.

Os transtornos do humor representam uma das principais causas de prejuízo funcional e de comportamentos suicidas. Esses transtornos são classificados em duas grandes categorias com base em suas sintomatologias e padrões de transmissão familiar.

A depressão unipolar é caracterizada por episódios de depressão, enquanto o transtorno bipolar envolve pelo menos um episódio de mania, podendo alternar entre mania e depressão ao longo da doença. Os sintomas de depressão incluem humor triste, falta de interesse, alterações de sono e apetite, além de pensamentos suicidas. Já os episódios maníacos são marcados por euforia, aumento de energia e impulsividade, entre outros sintomas.

Esses transtornos têm uma base genética significativa, com estudos demonstrando uma hereditariedade de cerca de 40% na depressão unipolar e até 70% no transtorno bipolar. A genética quantitativa sugere que vários genes de vulnerabilidade contribuem para o risco de desenvolvimento desses transtornos.

Além dos estudos genéticos tradicionais, há uma crescente investigação sobre os chamados endofenótipos, que são características neurofisiológicas ou neuropsicológicas associadas aos transtornos do humor. Esses endofenótipos podem ajudar a identificar genes associados aos transtornos de forma mais eficaz do que os próprios diagnósticos clínicos.

Uma mudança conceitual importante nos estudos genéticos é a investigação da interação entre genes e ambiente. Estudos mostraram que certos polimorfismos genéticos podem modular a influência de eventos estressores na depressão, evidenciando a complexa interação entre fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento desses transtornos.

Em resumo, os transtornos do humor têm uma base genética substancial, mas sua etiologia é influenciada por uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais. Compreender esses aspectos é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de prevenção e tratamento desses transtornos debilitantes.